quarta-feira, 23 de abril de 2014

Bicicletas, uma possível saída para o trânsito caótico das grandes cidades brasileiras ?

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda

Recentemente estive em Amsterdã e pude comprovar a eficiência no transporte de pessoas através bicicletas.

Amsterdã tem mais bicicletas do que habitantes. Censo recente, do início deste ano de 2014, apontou que a cidade conta com quase 800 mil habitantes e com 881 mil bicicletas.

O que explicaria o sucesso desse fenômeno, que segue na contramão de grandes cidades como Paris, Roma, Londres, São Paulo, Rio de Janeiro, Cidade do México, Moscou, etc.?

A Holanda é considerada um dos Países Baixos, ou seja, com grande parte de seu território abaixo do nível do mar. Seu relevo é plano, o que torna a bicicleta um meio de transporte bastante conveniente. Embora a cidade de Amsterdã tenha um sistema de transporte público muito eficiente e barato, através de bondes elétricos, ele responde por apenas 11% do total de quilômetros percorridos diariamente pelas pessoas, em suas atividades de lazer, trabalho ou estudo; mais de 70% da distância diária é coberta por bicicletas! Para que se tenha uma boa noção da disparidade desse número, basta saber que na União Europeia esse número é de apenas 7%.

A cidade tem aproximadamente 400 quilômetros de ciclovias. São vias devidamente sinalizadas, e separadas das ruas por onde circulam os bondes elétricos e os carros. Na Holanda o uso de capacete não é obrigatório, como ocorre no Reino Unido; isso acontece porque as ciclovias contam com vias exclusivas para a circulação em sentidos contrários. Raramente você observará um ciclista circulando no fluxo inverso.

As leis de trânsito também favorecem os ciclistas, no "convívio" diário com os veículos motorizados. E são muito respeitadas pelos motoristas locais. Mas também existem leis que obrigam os ciclistas a terem um comportamento adequado.

Além de seu relevo plano, a Holanda é também um país muito pequeno, com distâncias muitos curtas entre bairros e cidades. A grande maioria dos deslocamentos não chega a 10 km. Isso ajuda, e muito!

Outra razão para o sucesso das bicicletas em Amsterdã remonta ao seu passado. A configuração da cidade se consolidou no século XVII, numa época em que não existiam carros, mas apenas cavalos, carruagens e barcos. O espaço limitado pelos canais da cidade inviabiliza, atualmente, o uso de veículos.

Escolas, empresas, repartições públicas e atrações turísticas estão preparadas para as bicicletas, e contam com estacionamentos e garagens apropriadas. Pessoas bem vestidas, muitas de terno, utilizam suas bicicletas para se locomover pela cidade.

Embora estejamos falando de um país de Primeiro Mundo, cerca de 55.000 bicicletas são roubadas por ano em Amsterdã; nem tudo na Europa funciona perfeitamente como às vezes acreditamos no Brasil.

O uso de bicicletas não se limita apenas ao transporte de pessoas. É comum vermos o transporte de pequenas encomendas em bicicletas. Obviamente, grandes volumes demandam a utilização de veículos urbanos de carga.

Em Amsterdã deu certo, mas e nas grandes cidades brasileiras, poderá certo?

Particularmente, acredito que ainda não. Ainda demorará muito, mas muito mesmo para nos estruturarmos da forma devida. Não basta criar ciclovias; é necessário criar leis rígidas e punições severas para motoristas e ciclistas irresponsáveis, ciclovias interligando os bairros e as cidades mais próximas, e devidamente segregadas das vias no qual circulam os veículos, e uma infraestrutura de apoio, que garanta a guarda das bicicletas, até a sua nova utilização.

Quantos bancos, escolas, empresas, repartições públicas, etc., estão prontos para receber milhares de bicicletas diariamente? Quantos motoristas contam com a educação devida para dividir o espaço público com as bicicletas? Quantas pessoas estarão dispostas a abrir mão de seu status para deixar em casa o seu belo e caro carro, para viajar em uma simples bicicleta?

Mas, precisamos começar. As cidades do Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Campo Grande, Fortaleza, Aracaju, Brasília, Santos, Praia Grande e Sorocaba estão dando belos exemplos para todos os brasileiros. Pode ainda não ser a situação ideal, mas já apresentam resultados interessantes. É importante que outras cidades, de grande e médio porte deem seu pontapé inicial, e plantem uma semente que proporcionará excepcionais frutos para toda a sociedade!

E se puder, um dia vá a Amsterdã e veja você mesmo como funciona uma cidade com tantas bicicletas. Você vai adorar!

terça-feira, 8 de abril de 2014

O que está acontecendo com o valor do aluguel dos galpões logísticos ?

 Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda


Reportagem publicada recentemente no Jornal "O Estado de São Paulo" aborda a questão da oferta de galpões logísticos e a queda de preço verificado nos aluguéis ao longo dos últimos meses.

Segundo a reportagem, os projetos de galpões industriais com entrega prevista para 2014 somam 2,2 milhões de m² de área bruta locável, superando a marca registrada em 2013, que foi de 1,7 milhão de m².

A vacância média nos galpões subiu de 13,3% em 2012 para 17,6% em 2013,segundo a empresa Colliers. Nesse mesmo período, o preço da locação por m² caiu de R$ 20,00 para R$ 18,50, voltando ao patamar de 2010. A Colliers estima que os espaço vazios a 25% até dezembro deste ano, e que os aluguéis recuem para R$ 17,50.

A pergunta que se faz é: isso é uma tendência de médio ou longo prazo ou apenas uma situação pontual e passageira?

Acredito que seja apenas uma situação ocasional, em função de um desequilibro entre a oferta e a demanda. Na minha visão houve um super dimensionamento da oferta e não uma queda na demanda por espaço. Existe e continuará havendo demanda por espaço, grande parte decorrente da ineficiência verificada nos processos de planejamento de vendas e produção, causada principalmente por erros grotescos nas previsões de vendas.

Às falhas existentes no processo de planejamento de vendas e operações, somamos as deficiências na gestão dos estoques, parte por erros conceituais ou desconhecimento de técnicas para o dimensionamento dos estoques, e parte em função da falta de ferramentas integradas, já que a maioria das empresas ainda insiste em gerenciar seus estoques com planilhas Excel.

Outros fatores também interferem em todo esse complexo planejamento, como a indisponibilidade de material, atrasos nas entregas (principalmente para materiais importados), sazonalidade de vendas, lotes mínimos de fornecimento ou transporte, etc.

Como podemos ver, será necessário realizar uma ampla mudança em processos, sistemas de gestão e tecnologias para que diminua a necessidade de espaço. Até que isso ocorra, ainda precisaremos esconder "muita sujeira debaixo dos tapetes".

Ocorrendo um ajuste fino na oferta de galpões logísticos ao longo de 2014 e 2015, os preços deverão se manter nos níveis registrados ao longo de 2011 e 2012. Voltaremos a testemunhar cobranças absurdas de R$ 25,00 a R$ 30,00 por m².


Para não nos tornarmos reféns desses custos abusivos, só há uma saída: corrigir todas ou pelo menos grande parte das distorções existentes, atacando a causa raiz dos principais problemas existentes. Aí..., é outra história. Até lá, os investidores continuarão engordando suas contas bancárias.

sexta-feira, 21 de março de 2014

CINCO dicas para você melhorar a sua Gestão de Transportes

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda

Problemas não faltam quando falamos no transporte rodoviário de cargas no Brasil.

A crônica falta de motoristas, os aumentos sucessivos do diesel e da gasolina, a ampliação das restrições à circulação de veículos nas grandes cidades, o aumento no roubo de cargas, etc., tem atormentado a vida de que está diretamente envolvido com a atividade de gestão de transportes.

Diante de tantas dificuldades e desafios, precisamos desenvolver soluções adequadas de planejamento, gestão e operação. Caso contrário, correremos o risco de perder dinheiro, muito dinheiro!

Abaixo, indico algumas ações que considero extremamente importantes para que as empresas:

1. Desenvolva parcerias realmente verdadeiras e consistentes com suas Transportadoras e Operadores Logísticos.
Tenha uma visão de longo prazo. Determine metas e estabeleça ações de melhorias conjuntas. Priorize o ganha-ganha. Tenha contratos e estabeleça claramente os direitos e deveres de cada parte. Compartilhe benefícios. Integre informações. Troquem conhecimento. Não entenda que as coisas funcionam com "eles lá e a gente cá". Equilibre aspectos comerciais e técnicos. Use o bom senso.

2. Atue muito próximo de seus parceiros, mas sem atrapalhá-los.
Esteja mais presente em seus parceiros. Programe visitas constantes nas Transportadoras e nos Operadores Logísticos. Avalie a infraestrutura existente e disponibilizada pelos seus parceiros. Cheque os processos (se é que eles realmente existem) e avalie o valor agregado ao negócio. Audite os resultados obtidos. Mapeie as competências e habilidades do pessoal-chave que atua em seus parceiros e treine a equipe operacional e de apoio administrativo se julgar necessário. Trabalhem em conjunto. Terceirizar não significa abdicar. Some as competências existentes em cada lado, assim você realmente multiplicará os resultados. Atue em mão dupla e não de forma unilateral.

3. Aprofunde-se na rotina diária da Transportadora ou do Operador Logístico.
Administre a atividade de transporte in-loco, saia do conforto da sua sala com ar condicionado. Não dá para gerenciar a atividade de transporte e nem os seus parceiros à distância; a medição e o acompanhamento de um indicador, por mais importante que ele seja, nunca substituirá a presença física. Parece retrógrado não é? Sim, pode parecer, diante de tantas tecnologias existentes, mas é a mais pura verdade.Transporte é dinâmico demais; ocorre na rua, lidando com diversas variáveis que poderão interferir nos resultados inicialmente planejados. Esteja presente, conheça a realidade, nua e crua. Aprofunde-se na rotina diária e entenda claramente como as coisas funcionam e como você poderá ajudar.

4 Planeje, planeje e planeje.
Qualquer ação exige um planejamento prévio. Por mais que a atividade de transporte de cargas seja entendida como algo extremamente operacional, é necessário definir os patamares de desempenho a serem alcançados, dimensionar os recursos necessários, implementar ações para a otimização dos recursos disponibilizados, zelar pelo fluxo e pela acuracidade das informações, determinar normas e políticas para atuar de forma segura, minimizando riscos, etc. Tudo isso acontece ANTES da operação e envolve ações de planejamento e gestão. Avalie o que é feito nessas duas esferas de tomada de decisão, tática e estratégica, e verifique se você e seus parceiros estão atuando corretamente.

5 Pense e aja em tempo REAL.

Precisamos monitorar a atividade de transportes em tempo real. Isso já não é mais difícil e nem caro. Não faltam tecnologias. Dispomos de WEB/WAP, GPS, GPRS, telemetria, etc. O maior problema hoje, na prática, está na estruturação da retaguarda de pessoas e de processos para a análise e tomada de decisões. Tenho insistido, constantemente em meus artigos, na criação de uma estrutura semelhante a uma Torre de Controle. Sem ela, desperdiçaremos os infinitos benefícios que poderão ser obtidos através de uma gestão on-line, real time. Muitos argumentam que isso é caro, demorado, complexo. Pode até ser, mas o barato de hoje custará muito caro amanhã. Pense nisso!

segunda-feira, 10 de março de 2014

E agora, vai fazer o que?

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda

Mal começou o ano, e a pesquisa Focus do Banco Central anuncia que a projeção de crescimento do PIB para 2014 caiu para 1,67%; no final do ano passado falava-se em 2,5%. Para complementar a má notícia, os economistas consultados ainda aumentaram a estimativa de inflação de 5,93% para 6%.

Não faltam notícias ruins, pipocando aqui ou ali. Também não faltam previsões pessimistas para 2014, considerando ainda a Copa do Mundo e as eleições presidenciais.

A verdade é que o cenário é realmente preocupante. Mas, diante dessa situação, você vai fazer o que? Vai se comportar com mero espectador, passivo diante dos desafios, ou vai desenvolver soluções alternativas para driblar a crise?

A maioria, infelizmente, vai se conformar com a situação, alegando que não é o momento adequado para mudanças, inovações, etc. Vai colocar a culpa em tudo e em todos pelo seu infortúnio. Mas, se você quiser, você pode pelo menos tentar mudar essa história. Se não der totalmente certo, pelo menos você sabe que tentou.

Primeiro, verifique se você tem uma estratégica clara para este e para os próximos anos. Avalie se a empresa tem um rumo certo e se essa escolha está sendo positiva para os seus negócios. Você está ganhando dinheiro? Se você respondeu "não sei" é sinal de que a situação é muito pior do que imaginamos. Se você não conta com informações adequadas para a tomada de decisão, quer dizer que administra a sua empresa na "tentativa e erro"? Isso custa caro, muito caro!

Avalie os mercados no qual a sua empresa atua. Diante do cenário econômico atual e futuro, esses mercados são realmente atraentes? Atuo em segmentos com excelentes perspectivas no curto, médio e longo prazo? Devo partir para a inovação ou insistir nos segmentos atuais?

Olhe para seus Clientes. A relação vem evoluindo ao longo dos últimos meses ou anos, ou caminha para uma deterioração quase que inevitável em função dos valores praticados (e desejados) e da percepção em relação ao nível de serviço prestado? Devo acelerar o processo de "oxigenação" da carteira ou devo ampliar os esforços na fidelização dos atuais clientes? Ou preciso fazer as duas coisas simultaneamente?

Avalie o portfólio de serviços e verifique se não existe a possibilidade de ampliação dos vínculos comerciais existentes. Não há nada de novo que a sua empresa possa fazer?

Nessa reavaliação tática e estratégica, defina metas e o horizonte de tempo em que isso deverá ser atingido.

Ratificada ou retificada a estratégia da empresa, devemos avaliar se as pessoas, processos, infraestrutura, tecnologia e sistemas de gestão estão totalmente alinhados com as metas propostas. Provavelmente não estarão. E é aí que devemos começar a olhar para dentro da empresa.

Avalie o pessoal chave da sua empresa. Você está realmente contente com eles? Eles estão desempenhando seus papéis de forma diferenciada? Tem metas claramente definidas? Foram treinados para as funções exercidas? São constantemente avaliados? Recebem feedback? Contam com as ferramentas necessária para o bom desempenho das funções a eles atribuídas?

E os processos? Estão formalizados em fluxogramas ou modelos descritivos? São constantemente revisados? São totalmente aderentes às tecnologias empregadas na empresa? Os novos funcionários, ao iniciar na empresa, têm conhecimento dos processos existentes? Existe uma auditoria interna para comprovar o respeito aos processos e a sua eficácia na realização das metas propostas?

Falamos agora de tecnologia. Sua empresa gasta, por ano, o equivalente a 0,5% a 2,0% da receita operacional líquida (ROL) com tecnologia da informação. Esse investimento é bem aproveitado? Na sua empresa, a tecnologia ajuda ou atrapalha? Os processos estão automatizados? Controles em papel são realmente escassos? As pessoas conseguiram se livrar de grande parte das atividades manuais realizadas por conta da natureza da atividade de logística e transporte? O processo de tomada de decisão na sua empresa está amparado em dados e fatos, disponibilizados pelas soluções tecnológicas utilizadas?

Por fim, tratamos dos sistemas de gestão. As "regras do jogo" estão claras para todos os funcionários?  As pessoas têm conhecimento de como se comportar e do que fazer para serem promovidas, por exemplo? Existe meritocracia na empresa? Indicadores de desempenho são medidos? Planos de ação são implementados? As lideranças estão devidamente preparadas para conduzir suas equipes a patamares elevados de desempenho?


Como pudemos ver nesse breve artigo, há muito o que fazer. Portanto, não se comporte de forma passiva diante de um cenário econômico desfavorável. Ao contrário, trabalhe mais, muito mais. Busque alternativas, inove. Faça um pente fino na empresa. Prepare-a para um novo salto, que se Deus permitir, ocorrerá nos próximos anos. Bom trabalho!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Que tal adicionar um “P” ao Transporte?

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda

Que tal adicionar um “P” à atividade de transporte? “P” de PLANEJAMENTO! Afinal, quanto tempo você e a sua equipe dedicam ao planejamento das atividades de transportes?

Ao contrário do que muitos profissionais pensam, a atividade de transportes deve considerar as três esferas de decisão: estratégica, tática e operacional. Em nosso dia-a-dia investimos quase 100% do nosso tempo em atividades operacionais, reservando pouquíssimo tempo para atividades táticas, com raras atuações no nível estratégico.

O nível estratégico, por exemplo, compreende a análise e tomada de decisão envolvendo malha logística, perfil dos parceiros logísticos, escopo da terceirização logística, área de abrangência do serviço, política tarifária, nível de serviço por canal de distribuição, atuação com frota própria ou terceirizada, utilização de ferramentas tecnológicas para maior visibilidade e controle, etc. No nível estratégico identificamos, portanto, diversas atividades que demandariam pelo menos 10% a 20% do tempo diário do Gerente de Logística, e algo ao redor de 5% a 10% do tempo dos Coordenadores diretamente envolvidos com a área de transportes.

Se existe muito a fazer, porque então, tanta dificuldade em pensar e agir estrategicamente em transportes? A razão é simples: vivemos dentro de um ciclo “vicioso”, pois como não existe planejamento algum, convivemos permanentemente com problemas, “apagando” repetidos incêndios diários, estando contaminados pela desgastante rotina que desempenhamos como bombeiros!

Na esfera tática, deveríamos estar atuando na melhoria contínua, a partir de indicadores apontando a produtividade, custos e nível de serviço. Muitas empresas gastam até 15% a mais de frete do que deveriam gastar devido às não-conformidades como avarias, re-entregas, devoluções, estadias, penalidades financeiras impostas por clientes, etc.

Ao invés de desenvolvermos projetos que envolvam clientes internos e externos, perdemos importantes horas de nosso dia-a-dia “resolvendo” problemas, procurando culpados entre funcionários, Clientes e parceiros, buscando desculpas para nossas falhas, etc.

Somos estimulados a não pensar e aos poucos perdemos nosso senso crítico. Desenvolvemos uma postura reativa, e nos transformamos em agentes passivos. Deixamos de participar ativamente da mudança e nos tornamos meros espectadores de um trágico filme. Ao invés de olharmos para fora, nos voltamos para dentro da empresa, como verdadeiros “ermitões”.

É preciso romper esse ciclo vicioso e remover as amarras que nos prendem exclusivamente à operação. Podemos tratar isso como paradigma, acomodação ou pura teimosia?

Não importa. Precisamos mudar! Devemos começar pelos PROCESSOS. A revisão e redesenho dos processos nos forçarão a pensar e agir estrategicamente. Desse debate serão traçados novos desafios e novos papéis serão definidos. Novas competências e habilidades serão requeridas, e aí será necessário capacitar as PESSOAS para a mudança. Por fim serão identificadas as FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS mais aderentes aos processos, com as funcionalidades básicas requeridas.
Assim como existe um PPCP no apoio ao processo de planejamento de vendas e operações, por que não criarmos um PCOT – Planejamento e Controle das Operações de Transportes?


Sem o “P”, limitaremos os ganhos possíveis com a gestão de transportes. Perderemos competitividade e colocaremos em risco a nossa empresa. Que tal então adicionar um “P” ao transporte?

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Gestão da Operação de Transportes - PCOT - Planejamento e Controle da Operação de Transportes

Gestão da Operação de Transportes - PCOT - Planejamento e Controle da Operação de Transportes 
Data 17 e 18/03/2014 
Horário 18:00 ás 22:00 
Investimento 720,00 
Local São Paulo - SP


PROGRAMA TÉCNICO 

1. Conceitos Básicos em Transportes 
2. O que é o PCOT Razões para a existência, benefícios, escopo de trabalho, interfaces, estrutura organizacional e atuação nas esferas estratégica, tática e operacional. 
3. SLAs - Service Level Agreement e Contratos na Prestação de Serviços Logísticos 
4. Indicadores de Desempenho na Gestão de Transportes 
5. Tipos de Operações de Transportes e Atuação do PCOT 
a. Carga lotação 
b. Carga fracionada 
c. Veículo dedicado 
6. Veículos de Coleta e Entrega / Transferência 
7. Redes de Transportes 
a. Simples Linear 
b. Complexa 
c. Circuito 
d. Radial 
8. Modelos de Distribuição 
a. Entrega direta 
b. Cross-docking e transit-point 
c. Merge-in-transit 
d. Centros de distribuição CD 
e. Centros de distribuição avançados CDA 
9. Cubagem de Cargas no Transporte Rodoviário de Cargas 
10. Consolidação e Unitização de Cargas 
11. Dimensionamento de Frotas 
12. Roteirização de Coletas e Entregas 
13. Fatores de Produtividade das Frotas e Programas de Qualidade e Produtividade em Transportes 
14. Gestão das Não-Conformidades em Transportes 
15. Infra-Estrutura e Layout dos Terminais de Cargas 
16. Custos de Transportes 
a. Custos Fixos 
b. Custos Variáveis 
c. Taxas 
d. Comportamento e importância dos custos 
17. Soluções Tecnológicas em Transportes 
a. TMS - Transportation Management System 
b. Automação e Conferência de Fretes 
c. Roteirizadores 
d. Sistemas de Rastreamento e Telemetria 
e. WEB / WAP 


Maiores informações através do e-mail: treinamento@tigerlog.com.br 


Geração de Lucros nas Transportadoras: Como Reduzir Custos e Despesas e Aumentar Receitas 
Data 18/03/2014 
Horário 08:00 ás 17:00 
Investimento 720,00 
Local São Paulo - SP 

Projetos Logísticos 
Data 24 e 25/03/2014 
Horário 08:00 ás 17:00 
Investimento 1.200,00 
Local Guarulhos - SP 

Engenharia Econômica aplicada à Logística 
Data 24 e 25/03/2014 
Horário 18:00 ás 22:00 
Investimento 720,00 
Local Guarulhos - SP

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Transportadoras em um Beco (quase) sem Saída...Existe Solução?

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda

Você já deve ter utilizado essa expressão: "Estamos em um beco sem saída". Ela normalmente é utilizada quando nos encontramos em situações extremamente complexas, difíceis de serem resolvidas, onde nos restam pouquíssimas alternativas. É exatamente o que está acontecendo com a granda maioria das Transportadoras neste momento.

A alta de custos operacionais (diesel, mão de obra, etc.) e os anos de defasagens acumuladas em seus preços, colocaram as Transportadoras em uma situação de alerta extremo. Ou elas imediatamente tomam medidas corretivas e preventivas, ou sucumbirão diante dos desafios futuros.

A verdade é que atingimos uma situação altamente preocupante, que se não for revertida a tempo, levará a uma gigantesca taxa de mortalidade entre as Transportadoras brasileiras, colaborando para corroer um dos mais importantes e estratégicos segmentos da economia, o setor de transportes!

E isso, no médio prazo, contribuirá para um aumento natural do preço dos fretes, em função da oferta e da demanda por serviços.

Não podemos culpar apenas os Embarcadores. Grande parcela da responsabilidade por essa situação caótica deve ser atribuída aos próprios Transportadores, que por sua incapacidade de custear e formar preços, acabaram propondo ou aceitando fretes incompatíveis com as suas realidades operacionais.

O que fazer agora?

A primeira coisa a fazer, é obter os custos reais da sua empresa e apresentar as defasagens para os seus Clientes. De nada adiantará ir ao mercado e reclamar aumentos, se você não sabe exatamente, o quanto pedir. Poderá perder uma excelente oportunidade. Sem argumentos numéricos, você poderá propor 15% de reajuste e aceitar 5%, achando que fez um ótimo negócio. Prepare-se para uma negociação longa e exaustiva.

Seu Cliente está lhe ameaçando com uma cotação no mercado? Sem problemas! Assim ele descobrirá que os fretes estão realmente defasados. Não tema! Ah, mas vai aparecer uma meia dúzia de malucos orçando fretes ainda menores? Sim, claro! Mas aguarde! Seu Cliente provavelmente terá feito um péssimo negócio, e em breve lhe procurará para renegociar, isso se o seu interlocutor ainda estiver empregado!

O segundo passo é mais complexo. Trata de identificar medidas internas para a otimização dos resultados da empresa, definir metas, desenvolver ações de melhoria contínua e monitorar os resultados obtidos.  Isso envolverá pessoas, processos, sistemas de gestão, ferramentas tecnológicas e infraestrutura. É um processo de diagnóstico demorado e complexo, mas necessário. Sem isso, sua empresa será pouco competitiva no mercado.

O terceiro passo trata de uma reorientação estratégica. Ou seja, para onde direcionar a sua empresa no futuro. Onde queremos chegar e como faremos para chegar lá. É um exercício vital para a sobrevivência e perpetuação da empresa. Execute-o imediatamente, e se possível contanto com o auxílio de profissionais especializados.

Realmente, parece que estamos em um "buraco sem saída" e que não há mais o que fazer. A boa notícia é que ainda há o que fazer. A má notícia é que nada será resolvido de forma simples e rápida; vai exigir investimentos, dedicação e perseverança da empresa e de seus colaboradores. É difícil, mas ainda não é impossível.


Infelizmente, muitas Transportadoras não terão fôlego suficiente para essa última caminhada, ou não saberão trilhar o caminho correto, e engrossarão as estatísticas das empresas de Transportes que já não existem mais. Você não quer fazer parte dessa lista, quer?